2.7.05

Funeral


Caminho estreito na passagem lúgubre
Procissão noturna de lágrimas e vento
Lua, suave, observa a escuridão.
Atenta, sussurra lábias em triste tom
Passos pesados pela madrugada
Ecoam profunda dor, gritando alto
Sangram frias o passado tão cruel

Como as rosas vermelho-quentes
Escarlate se fez a vastidão
Quando o visitante de mil rostos
Desceu do seu trono abissal
A colheita então teve início
E tudo foram gritos por horas

Tornada vazia, a névoa desfez-se
Com ela, a esperança deixava o antro
De paredes úmidas, gotejando ódio
Não mais o dia acordaria, calor e luz
Nenhum sol outra vez brilharia
Somente a gaiola, concreto e pó
A fumaça na janela, denso clarão
Toma destino quieta e perpetra
A rua, o céu, a lua

Silhuetas escuras agouram alma perdida
Que, só e aflita, acorda termos póstumos
Prepara-se o novo círculo de senhores negros
Governantes taciturnos e frios da imensidão
O fogo eterno e interior
Bebe-os inteiros e em goles rápidos

Mórbida, prossegue a procissão
Um coro intenso leva as vozes em prantos nós
Desatando em desespero sublime
Doce alimento, predatória refeição
Dos pássaros carniçeiros, mergulhando
À própria sorte, à certa morte

1 comments

Anonymous http://estrela33@blogspot.com disse...

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ESTRELA SELMA

4.4.09  

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