5.5.05

Cães da Rua

Os cães, ladrando rua afora
Se debatem e devoram transeuntes
Que, possuídos por pura Ira
Entregam-se diretamente a ele
Que vaga com a noite, com cheiro de luxúria
Como flores noctívagas em inverno claro

Os cães, ladrando rua afora
São sombras de exorcismos órfãos
Que correm cegas e abandonadas
Pelo Destino
Devorando, possuindo
Derramando sangue escarlate
Sobre Rosas primaveris
Que banham-se na debandada
Da matilha senil, infernal em si mesma

Os cães, ladrando rua afora
São arautos de legiões selvagens
Implorando por suas almas num inferno de lágrimas
Seu estandarte é a violenta morte
Que toma pelo braço uma Besta andarilha
Triste consorte na intrépida passagem
Cujo barco silencioso esgueira-se
Sob as mãos de Caronte

Os cães, ladrando rua afora
Não temem a Cruz ou a Fé
Seguem sob o signo das silhuetas nuas
Rastejando pelas paredes
Como raça impura, suja e cuspida
Da boca de um Demônio Vermelho

Os cães, ladrando rua afora
Ornam seus corpos com a Lua
E uivam para a madrugada
Cantando angústias em tom de choro
Ao Sacerdote Último, que ao partir
Lamentou por seu negro trono